Metodologia

Tendo em vista a natureza do problema de pesquisa proposto neste projeto, optou-se pela técnica de grupos focais, realizada com um grupo pequeno de pessoas (Minayo & Costa, 2018). Esta estratégia é preferencialmente adotada em pesquisas exploratórias ou avaliativas - podendo ser a principal fonte de dados - ou como técnica complementar em pesquisas quantitativas (Merton; Fiske; Kendall, 1990) ou qualitativas, associada às técnicas de entrevistas em profundidade e de observação participante (Morgan, 1997).

Prevê-se no projeto como um todo a realização de ao menos 8 (oito) grupos focais constituídos por: 1) imigrantes, refugiados e apátridas indígenas; 2) imigrantes, refugiados e apátridas lgbtqia+; 3) imigrantes, refugiados e apátridas internos do sistema prisional; 4) migrantes, refugiados e apátridas egressos do sistema prisional), com 10 (dez) participantes. Assim, a amostra estimada para esta etapa do estudo é de pelo menos 8 (oito) grupos focais e ao menos 80 (oitenta) participantes.

O tempo previsto para a realização de cada grupo focal é de aproximadamente 3 (três) horas. Para a realização dos grupos focais, serão reservadas salas preferencialmente de fácil acesso a/o(s) participante(s). Neste caso, uma sala que comporte confortavelmente o número mínimo de 12 (doze) pessoas, sendo 10 (seis) participantes e 2 (dois) pesquisadore/a(s).

O/a(s) participante(s) poderão ser distribuídos em torno de uma mesa; ou dispostos em cadeiras em forma circular; ou sentados em tapete, esteira ou banco. As observações, registros e conversas serão anotados no caderno de campo do/a(s) pesquisadore/a(s), e/ou poderão ser utilizados gravadores para captar as falas autorizadas do/a(s) participante(s), que serão transcritas.

Além dos grupos focais, o projeto prevê questionários e entrevistas semi-estruturadas, seguidos da análise de todo o material. Este estudo constitui-se fundamentalmente pela escuta e pelas observações que levam à descoberta de cada experiência. Nesse sentido, a estimulação do olhar e os ouvidos atentos do(a) pesquisador(a) farão parte de todo o processo no intuito de compreender e valorizar os sentimentos, as percepções e as vivências das pessoas participantes.

No caso de algum constrangimento, desconforto ou irritabilidade expressa por elas durante as observações e registros, o(a) pesquisador(a) respeitará os modos de ser e estar no contexto pesquisado e interromperá o trabalho se houver a necessidade ou se for solicitado pelo/a(s) participante(s).

Referências bibliográficas

Farah, Paulo D. E.; Dantas, Sylvia D. (2025). (Eds.) Resignifying Migration and Minorities' Cultural Contact in Brazil. NY: Springer.

Farah, Paulo D. E. Para onde iremos após a última fronteira? Reflexões sobre migração, apatridia e refúgio no Brasil e no mundo em novos horizontes epistemológicos, narrativos e plurilíngues. (2022). In: Farah, Paulo D. E.; Matuck, Artur; Iokoi, Zilda M. G. (Org.). Linguagens da Sobrevivência: Migrações. Interlínguas, Narrativas e Representações. Manaus e São Paulo: EDUMA. Disponível em: https://ppghdl.fflch.usp.br/linguagens-da-sobrevivencia. Acesso em: 08 dez. 2025.

Farah, Paulo D. E. Combates à xenofobia, ao racismo e à intolerância. (2017). Revista USP, [S. l.], São Paulo, (114), 11-30. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/142365. Acesso em: 29 nov. 2025.

Merton, Robert K.; Fiske, Marjorie; Kendall, Patricia L. (1990). The focused interview: a manual of problems and procedures. New York: Free Press.

Minayo, M. C. S.; Costa, A. P. (2018). Fundamentos teóricos das técnicas de investigação qualitativa. Revista Lusófona de Educação, (40), 11-25.

Morgan, David L. (1997). Focus group as qualitative research. London: Sage.